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01 junho 2010

Vara Curta



Cutuca com pau de laranjeira, espreme até sangrar, sabe muito bem como manipular as batidas do coração de uma onça brava. Ele quer apenas se divertir, estalar o dedo, e, ela mansamente, sem medir esforços, em seus braços cair

É uma fêmea da melhor espécie, pele brilhosa, limpa, seu cheiro perturba machos vira-latas, machos com pedigree. Uma mulher-onça, com olhar carente, mas firme, sensualidade em cada pisada, leve, sorrateira, só que tem um defeito: acredita em sapos que viram príncipes – vive um conto de fada - espera um cavalo branco com asas. 

Acha que ele é sua alma gêmea ou que já se amaram em outras encarnações, até vela para anjo da guarda acende para não morrer de paixão. Esse felino ouriçado se sente o mais cobiçado do pedaço, mostra-se forte, pleno, livre, porém, esconde um machucado – imerso no seu orgulho. Quer todas as fêmeas imaculadas lhe dando banho de língua, e, até agora ainda não encontrou nenhuma para lamber seu ego ou aliviar sua míngua. 

Uma solidão que se esconde quando entra no estado liquido da matéria do homem, um transbordo que pode ser comprado, às vezes, sem muito esforço pode ser dado. Que bicho dá no homem que o faz com apenas uma mulher ficar? Não ter mais olhos para outra, que o faz até mesmo chorar? Já não canta mais de galo e nem se atrai por galinha. A mulher tem que caçar esse tal bicho, do contrário vai continuar se vestindo oncinha. Mas se isso for uma conseqüência... é melhor não cutucar com vara curta!

16 novembro 2009

Contra as Regras


Do nada, ela viu uma fumacinha em formato de carranca atingir sua áurea. Era como se seu pulmão estivesse sendo arrancado em um tempo que, para ela, parecia uma eternidade. Sua voz e respiração se separaram, ela experimentou o licor de menta oferecido pela morte que saia da boca de um homem que estava ao seu lado. Quando voltou a si, ela estava dentro de um cinzeiro a céu aberto. Viu muitas bitucas espalhadas, e, um monte de pessoas passando pra lá e pra cá, de longe, avistava várias carrancas saindo da boca de pessoas desmioladas. Em sua cabeça passava um filme de terror que ainda está em cartaz: “O Ministério da Saúde adverte...”. Eis que um tiroteio avança em sua direção... Nina foi atingida em cheio no coração. O atirador portava muita munição, entre tantas estava a que ele mais usava, a nicotina, pois ele acreditava que servia para proteger e fortalecer os bravos guerreiros, mas no fundo ele sabia que era para recarregar seu vicio, uma arma com alto poder de destruição. Ele mirou e atirou sem piedade na jovem. Ela caiu diretamente nos braços dele, a arma do crime é bastante comum entre os homens. Alguns possuem porte ilegal: a sedução.

18 setembro 2009

Pronto: Falei!

Essa menina é uma matraca do centro-oeste, que na Lapa carioca tem o calor das meninas do nordeste. Parece que está nas rodas do bumba-meu-boi lá no Maranhão, onde só se cala quando o absinto desce rasgando os males, mudando até a cor da pele branca para tição. Mais será o Benedito? O que esse pobre coitado tem a ver com isso? Essa pequena fala mais que a nêga do leite: cantiga, versos, lição, prosa, política, prostituição! Seu maior prazer é criar enredos com personagens desnudos, maus, sensíveis e encrenqueiros. A existência posta à mesa é para degustar o que há entre o Negro e o Nada... por isso essa alma feminina não pode calar.


(Dedicado a Larissa Marques.)

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