03 dezembro 2017

[RESENHA] PENSE COMO UM ARTISTA



TÍTULO: Pense como um artista
AUTORAS: Will Gompertz
EDITORA: Zahar
PÁGINAS:213

Somos todos artistas, mas, uns aproveitam esse dom, outros não. Pensando em muitas questões em torno da criatividade, Will Gompertz faz uma imersão no universo das mentes mais talentosas e criativas que o mundo já viu.

Em "Pense como um artista”, o autor nos leva para o imaginário de grandes nomes como Andy Warhol, Pablo Picasso, Da Vinci, Van Gogh entre outros.  É possível fazer uma viagem nas histórias e no processo criativo de cada um.

A criatividade se relaciona intimamente com a coragem e com a autoconfiança. Os Beatles convenceram a si próprios, e depois o mundo, de que eram músicos. Os artistas não pedem permissão para pintar, escrever, atuar ou cantar, simplesmente vão lá e fazem. Com a experiência vivida no teatro, cinema, editoras, e, sempre em busca de conhecimento, Will se debruça em analises profundas acerca do comportamento da ‘elite criativa’ e na forma como é acionada a imaginação como ferramenta produtiva.

Como já é clichê falar da Era Digital, e, principalmente, sobre como ele sobrecarrega nosso tempo com notificações o tempo todo, o autor afirma que é através dessa Era que teremos chance de atingir mais satisfação através da criatividade. Pois Will acredita que haverá mais pessoas criativas no futuro por conta da revolução digital visto que o acesso à informação ficou mais fácil.

O livro traz um despertar para vários braços da arte, inclusive para a publicidade. Como publicitária, eu entendi a importância dos impulsos, que normalmente soam como algo negativo, mas que devem ser encarados como algo fundamental para os artistas em geral. Vejamos um trecho da história do pai da publicidade David Ogilvy que começou sua agencia sem Know-hall, e que mais tarde, passou a administrar contas de grandes anunciantes como Roll-Royce, Guiness, American express, IBM, Shell, entre muitas outras, mas, para chegar onde chegou, ele contou muitos com seus impulsos.  Em sua biografia ele conta que largou a faculdade para trabalhar pesado, mesmo ganhando mal, em troca de experiências, e, foi o longo tempo na cozinha francesa com George Gallup e os Amish que ele descobriu a publicidade, desde então passou a pensar como um artista.

Ao longo da sua carreira como publicitário, Ogilvy encoraja os iniciantes, dizendo que os artistas fracassam, mas apenas de forma superficial, de que nem tudo que tentamos fazer resulta do modo como esperávamos. Mas essas situações não constituem verdadeiro fracassos, já que por meio da persistência e da dedicação alcançaremos um ponto de clareza.

Como falei anteriormente, que arte e coragem caminham juntas, a obra permeia esse conhecimento com exemplos de grandes nomes, como o de Michelangelo,  quando em 1508 foi chamado pelo Papa Julio II para pintar o teto da Capela Sistina. O artista foi tomado pelo sentimento de insegurança. Aterrorizado e com medo de falhar e de jogar no lixo toda sua reputação como um dos mais brilhantes artistas locais, ele não aceitou imediatamente, visto que já tinha recusado outro trabalho do papa. Mesmo não se sentindo qualificado para o realizar o trabalho, ele não tinha muita escolha. Entretanto, recebeu um encorajamento do Papa lhe dizendo para pintar o que quisesse. Então decidiu: “Se a encomenda estava destinada a ser vista como um fracasso, era melhor que fracassasse de modo espetacular”.

O que podemos entender sobre o causo de Michelangelo é que, a criatividade não existe de maneira isolada, precisa de um ambiente acolhedor onde possa florescer, e muitas vezes, isso significa ter um patrono ou um incentivador que irá proteger, possibilitar, persuadir e instruir, não haveria teto da Capela Sistina para o deleite dos visitantes, se não fosse pela persistência obstinada do Papa Julio II e pela confiança no trabalho de Michelangelo.

A realidade é que toda obra de arte deve ser viável comercialmente. Empresários identificam novas aberturas de mercado, e os artistas modificam seus modos de expressão para refletir uma nova era. Mesmo artistas muito ousados para quebrar regras e ir na contra mão do sistema, às vezes precisa de ajuda para vender seus trabalhos e torna-los famoso. Gompertz provoca um certo desconforto quando puxa o leitor para a realidade, ainda mais, quando disse que até Michelangelo teve medo de fazer o que sempre fez com excelência. 

Para artistas que passam constantemente por bloqueio criativo, há esperança. Pois até esses grandes artistas já hibernaram. A obra não traz dicas e nem conselhos que vão salvar um possível "fim de carreira". Eu imaginava que o livro fosse um manual para desbloqueio criativo, porém tem algumas sacadas interessantes, mas é o artista-leitor quem tem que se salvar, ainda mais, quando acessa a história de outros.

Estamos sempre esperando um insight para aquele projeto que não sai do papel, uma hora vem. É possível extrair desse livro uma dica de ouro: A porta para criatividade se abre através de perguntas e respostas. Pois Sócrates (470-399 a.C) desenvolveu um estilo de indagação aberta, que iria expor as fraquezas das suposições e incentivar as mentes a operar com maior capacidade intelectual e criativa. O método socrático, baseia-se em não pressupor nada e questionar tudo em busca de verdades absolutas. Afirmou o filósofo: “a vida não examinada não vale a pena ser vivida”, ele bem sabia que quanto mais questionamos, mais percebemos que há repostas concretas. Portanto de forma sucinta eternizou essa frase: “Só sei que nada sei”.



  



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