28 novembro 2017

[RESENHA] O Poder dos Inquietos

"Assuma o controle da própria vida e algo terrível acontece: você não tem mais a quem culpar."  - Érica Jong



TÍTULO: O Poder dos Inquietos
AUTOR: Chris Guillebeau
EDITORA: Saraiva
PÁGINAS:208

O poder dos inquietos" é indicado para empreendedores que estão em busca de capacitação. É plenamente voltado para quem não consegue viver sem perspectivas; sem novidades; sem ideias.

Chris Guilllebeau é bastante consistente em seu discurso, ele consegue compactar seu conhecimento sobre empreendedorismo com maestria. E, de cara, já começa a obra assim: "À Medida que você avança em sua jornada, encontrará uma grande variedade de pessoas. Ao longo do caminho, algumas o ajudarão, enquanto outras farão de tudo para impedir que tenha sucesso."

Como uma pessoa inquieta que eu sou, comprei o livro pela capa, e, definitivamente, não me decepcionei. O autor vai dando uma alfinetada nos sonhadores de plantão, que querem se realizar, mas, se conformam com o que ganham e não fazem nada para mudar.


O livro é dividido em três partes:


A primeira, o autor fala sobre sua vida e sobre como se tornou um empreendedor. Sua inquietude o levou para dar volta ao mundo, foi voluntário na África apenas para ganhar experiências. Hoje vive de escrever livros e dar palestras. É uma pessoa com muita bagagem, literalmente, e, conta todas as suas peripécias nessa obra.
A segunda parte, Chris fala sobre como uma pessoa pode revolucionar seu trabalho, sair da ‘zona de conforto’. Muitas das vezes, o autor 'viaja na maionese', pois não é todo mortal que pode viver loucamente pelo mundo como ‘freela’. É preciso ter coragem, muito além disso, um propósito de vida. Mas ele provoca mesmo assim! 

Essa segunda parte é uma das mais interessantes, ele faz uma abordagem detalhada sobre liderança. É possível entender bem sobre a importância de se construir um pequeno exército e como influenciá-lo. Vou colocar aqui um passo-a-passo bem resumido:

Passo 1 –Recrute seu pequeno exército – Escolha a plataforma de comunicação; explique o motivo; seja receptivo;

Passo 2- Treine e recompense seu exército – Descubra o que motiva seus seguidores; recompense de forma simples, mas eficiente;

Passo 3 – Peça ajuda ao seu exército – Mobilize-os para ajudá-lo a se conectar com outras pessoas; proporcione a eles apoio financeiro; Envolva-os com seu negócio; una-se à causa; Cumpra as promessas que fez para não perder a credibilidade;

O novo empreendedor, que se aventura em ler esse livro buscando inspiração, é forçado a tomar algumas decisões importantes, principalmente, quando tem que relacionar dois pontos de partida. Como por exemplo, analisar as principais características de bons e maus negócios, baseadas nos estudos que o autor apresenta, descontruindo conceitos sólidos existentes sobre sistemas de franquia.

Além disso, polemiza quando afirma que é melhor investir em um blog do que em uma pós-graduação. Leia essa parte com muita atenção. É preciso filtrar as afirmações, bem como analisar o que se adéqua a realidade de cada um.

Chris Guillebeau dar algumas dicas sobre administração financeira pessoal e deixa alguns lembretes aos investidores de plantão:
  • Dinheiro e felicidade se correlacionam até certo ponto, mas não muito depois desse ponto.
  • O seu comportamento em relação ao dinheiro deve se alinhar aos seus valores.
  • Pense em "investir em si mesmo" gastando mais em experiências de vida do que em coisas.
  •  Um bom programa de investimento também inclui investir nos outros. Não é uma questão de culpa, mas de gratidão.
A última parte da obra é exaltando sua decisão em juntar trabalho e aventura – o sonho de consumo de qualquer um. O autor entra em uma área avessa -  quase inexplorada pela maioria das pessoas. Fala sobre conceitos de simplicidade, reducionismo e minimalismo. Chama isso de convergência – estado no qual todos os elementos da nossa vida estão em alinhamento. Para Chris, atingir a convergência entre duas atividades distintas é necessário livrar-se de tarefas, obrigações e expectativa, e, acolher uma ampla variedade que enriquecem nossa vida. Há vários exemplos sobre isso.

A obra tem um desfecho menos acelerado, já que no decorrer do livro sentimos a mesma adrenalina do autor, que nos leva para suas viagens, causando um certo desconforto, pois é distante demais da realidade, parece até livro de ficção. Um paradoxo!

Ele explica sobre o legado que todo mundo precisa construir. Usa exemplos de autores consagrados para fazer o leitor entender melhor sua proposta. Veja o que diz Stephen Covey:

“Certas coisas são fundamentais para a realização do ser humano. A essência dessas necessidades foi capturada na expressão “viver, amar, aprender e deixar um legado”. A necessidade de deixar um legado é nossa necessidade espiritual de ter um senso de propósito, congruência pessoal e contribuição para o mundo.”

O que se aprende com esse livro é que, de fato, somos responsáveis pelo nosso futuro, e que, não devemos nos conformar com mesmices. Não basta sonhar! As pessoas só progridem quando se levantam e procuram as circunstâncias que desejam e, se não conseguirem encontrá-las, as criam! 

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21 novembro 2017

[RESENHA]: GIRLBOSS




📚TÍTULO: #girlboss
📚AUTORA: @sophiaamoruso
📚EDITORA: Seoman
📚PÁGINAS: 247

Li pelo menos três resenhas sobre #girlboss. Sendo duas, exaltando a autora pelo sucesso da sua empresa Nasty Gal, e outra, falando muito mal da obra. Fiquei curiosa e decidi pagar pra ler.

O apelo comercial da capa é evidente. É um tipo de livro "modinha" — com uma 'hastag' e título feminista. Mas surpreende pelo conteúdo.


Traz uma linguagem cheia de expressões coloquiais. Acredito que a tradução foi feita desta forma — de propósito — com o intuito de deixar mais próximo possível da obra original.

Sophia conta sua história com riqueza de detalhes: sua fase de baixo autoestima; sua rebeldia, sua falta de apreço com os trabalhos por onde passou.

Ela deixa claro, não subentendido, que era uma pessoa problemática, que precisava de ajuda, porém não aceitava. Foi diagnosticada com TDH, mas abriu mão do tratamento e do conforto da família para viver como nômade e catando lixo, por opção.

Mesmo tendo um lugar para voltar, ela, inconscientemente, queria encontrar seu caminho mesmo que tivesse que passar por dificuldades. Ela estava certa!
[Todas as ações são criativas]

Sophia trabalhou em empregos que ela julgava que eram sofríveis, tais como restaurantes, serviços de informação, sapatarias entre outros. Na verdade, ela estava apenas entediada querendo garantir seu sustento. E aprendeu uma lição: "O que é chato para você poderá ser totalmente estimulante para outra pessoa. Se você está entediado e odiando algo, esse é um grande sinal de que você muito provavelmente apenas está no lugar errado. 

E, foi catando lixo que ela começou seu negócio milionário. Não foi exatamente com a primeira venda pela internet do livro que roubou. Ela não esconde que teve que roubar para garantir sua sobrevivência. Contudo, foi vendendo roupas usadas, que fizeram seu brechó no ebay se tornar um sucesso.

A autora traz muitas lições para novos empreendedores que querem vencer em seus projetos. Sophia não ficou sentada no sofá esperando o universo conspirar ao seu favor. A sorte foi ela quem criou — acordando cedo ou virando a noite trabalhando.

[Libere seu lado fashionista e extravagante]

A bem sucedida girlboss se considera introvertida, e, no livro faz várias colocações a respeito: Os introvertidos também são propensos a prestar atenção em detalhes pequenos (E uma loja no ebay é um tesouro de pequenos detalhes). Achei muito pertinente a forma como ela disserta sobre os introvertidos. O fato de ela não ter que lidar com pessoas, fez parte do motivo de ter começado a Nasty Gal, por simplesmente querer trabalhar sozinha. Cada um tem que saber explorar o que tem de melhor e saber o seu lugar, isso é um dos segredos para o sucesso. 
[Trabalhar com moda não é igual a passar o dia no shopping]

Essa parte do livro é a mais técnica. A autora chama os empreendedores para a realidade. Ela fala como é feita a contratação; como avalia um currículo; o que acha relevante numa entrevista. Sophia é muito enfática quando diz que não basta conseguir o emprego, é preciso mantê-lo, palavra de quem já foi promíscua com o trabalho. Isso aqui é muito bom:  Num mundo ideal, você nunca teria que fazer coisas que tão abaixo da sua posição, mas este não é ideal e nunca será. Você tem que entender que até um trabalho criativo não se resume a ser criativo, mas fazer o trabalho que precisa ser feito.

O livro vale a leitura, sem preconceitos. É possível compreender através desse fenômeno, que virou série na Netflix, o porquê de muitos negócios on-line fracassarem. Um dos segredos que a empresária revela sobre administrar um negócio com êxito, é saber como conseguir marketing de graça. Sabe como? Através do próprio cliente. Uma das regras de ouro: "Dê ao seu cliente algo a compartilhar."

Espero que tenham gostado. Não deixe de curtir e compartilhar com oa amigos

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16 novembro 2017

GUERRA DE TRONOS: O Príncipe X O Pequeno Príncipe

As pessoas estão vivendo apenas para trabalhar e morrer. Nós, estamos sempre em modo automático levando as relações de forma superficiais, pois não temos mais tempo para nada. Já não paramos mais para ver as estrelas; queremos apenas o que está pronto e ao nosso alcance, para consumo imediato; assumimos ter ‘pavio curto’, porque não temos paciência para nos dedicarmos ao outro.

Que tal uma batalha de clássicos? 


Falar de clássicos é desafiador! Meu desafio é fazer uma analogia entre os 'Príncipes': O Príncipe, de Maquiavel, e O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, obras que, se você analisar bem, permitem estabelecer várias relações. Não pretendo resenhar nenhuma delas, mas quero trazer o momento exato em que uma completa a outra, causando a impressão de terem sido escritas nos tempos atuais. Nicolau Maquiavel foi considerado um filósofo político por defender um Estado forte, contrariando toda moral religiosa, focando plenamente no humanismo. 

O Príncipe, foi escrito em 1513. Através de uma narrativa de fatos históricos, Maquiavel escreveu uma espécie de manual para ensinar príncipes/governantes a conquistarem e a se manterem no poder. O autor construiu sua carreira política servindo por 14 anos à república de Florença, na Itália, sob o comando de Lorenzo Médici.

Dentre as chaves do conhecimento maquiaveliano farei uma abordagem a respeito da 'natureza humana', que é tratada em muitos capítulos do O Príncipe, que é catedrático quando diz que a juventude deveria avaliar a si mesma quanto às oportunidades de aprendizado, visto que nos mantemos o tempo todo ocupados, sem desenvolvermos as reais habilidades para se obter o sucesso. 

Em relação a O Pequeno Príncipe vou pinçar sobre a 'construção dos laços afetivos', que é bem presente ao longo da fábula. Le Petit Prince – obra do escritor, ilustrador e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, publicada em 1943. Sua experiência com uma pane do avião no deserto do Saara o inspirou a escrever o que seria hoje o terceiro livro mais vendido no mundo. Até voltar em segurança para casa, o autor narra uma de suas histórias mais marcantes e que, definitivamente, mudou sua vida pra sempre. 

20171116_112636.jpgSaint-Exupéry passou muitos anos admirando as estrelas, porque era onde ele vivia com seu avião. Através do O Pequeno Príncipe ele externa sua criança interior, alertando os leitores para que nunca esqueçam de que já foram criança. O que ele quis dizer é que as 'pessoas grandes' não deveriam ter tantas preocupações; deveriam levar a vida mais leve, sem pensar tanto em números ou posses. Na verdade, poderiam se esforçar mais para realizar os sonhos de infância. O momento de interseção das obras ocorre justamente quando falam do amor e dos laços que determinam o sucesso ou o fracasso na vida, que vale para um principado/governo; para o ambiente corporativo; para a convivência em sociedade. Muitas relações humanas são construídas na base do interesse e, no momento de conveniência, são rompidas de forma inescrupulosa. Maquiavel afirma que isso ocorre porque, de modo geral, os homens são ingratos, falsos, covardes e ambiciosos. Assim, enquanto você tiver sucesso, as pessoas demonstrarão afeto, oferecerão o próprio sangue, os bens, a vida e até os filhos, mas se voltarão contra você, quando não estiverem mais satisfeitas. 

Quando saiu do seu planeta em busca de conhecimento pelo mundo, O pequeno príncipe encontrou em sua jornada: vaidosos, avarentos, bêbados, ambiciosos e, mesmo não entendendo o porquê das 'pessoas grandes' levarem a vida desta forma, ele queria construir laços. Mas, um príncipe precisa saber ser animal e homem. Para Maquiavel, é necessário saber utilizar uma e outra natureza, posto que uma sem a outra não é duradoura. Para saber viver nesse mundo cão é preciso ser um leão para se defender das armadilhas e também ser raposa para identificá-las. 

Quando o pequeno príncipe chegou na Terra encontrou muita gente pelo caminho, dentre elas destaca-se a raposa, que o fez compreender, finalmente, a importância da amizade –, que é baseada na entrega e na dedicação, pois só se conhece bem as coisas ou as pessoas quando se cativa. Ele puniu a rosa – sua melhor amiga –, deixando-a sozinha em seu planeta, forçando-a a reconhecê-lo como seu protetor. Nicolau escreveu profundamente sobre isso, salientando que um príncipe deve saber recompensar e punir quem faz algo extraordinário, tanto bom quanto ruim, pois essa é uma das formas de ser respeitado. 

O que sabemos sobre as relações é que simplesmente elas são rompidas facilmente, independentemente do quanto alguém já se dedicou a elas. Isso acontece porque ninguém anda com tempo para se dedicar à amizade. Hoje opta-se pelas amizades virtuais, porque é mais fácil para administrar. Como disse Saint-Exupéry, dá comprar tudo pronto, mas como não existe lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, mas se quiser ter um é preciso cativar! Em O Príncipe isso fica claro: é possível reconhecer um verdadeiro amigo quando ele está ao seu lado no sucesso ou no fracasso; pois é aí que se estabelece um forte laço de amizade. 


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Nesses dois conjuntos de sentimentos e emoções dos 'príncipes', vividos em tempos distintos, porém atualizados à medida que passamos a julgar a nós mesmos, compreende-se que o ser humano não mudou, muito embora os meios de comunicação tenham provocado mudanças no comportamento, mas, não na natureza. Para fortalecer os laços é preciso ser paciente. A expectativa de um momento feliz com alguém é necessária para que o coração esteja preparado para sentir a felicidade, por isso as celebrações são tão marcantes e, hoje, todo mundo quer deixar registrado nas redes sociais. 

Depois de passar muito tempo exilado, com a queda dos 'Médicis', Maquiavel – que trabalhou muito tempo para eles – tentou uma remissão, dedicando a obra O Príncipe ao neto de Lorenzo de Médici, logo quando recuperou o poder, aconselhando-o a não deixar passar essa oportunidade, pois a Itália já tinha sofrido muito com as invasões estrangeiras e aquele seria o momento certo para ele ser amado. Na verdade, o que Maquiavel queria mesmo era ser lembrado, principalmente por sua obra. Ele conhecia bastante essa família e sabia como cativá-la, mesmo numa tentativa frustrada de voltar ao cargo. O Pequeno Príncipe também queria ser lembrado, portanto a raposa disse que sempre iria se lembrar dele, quando visse os trigos, pois era da mesma cor do seu cabelo. 

Somente o tempo que se perde cativando é que faz alguém ser importante. Pode-se aprender muito com esses dois clássicos, que são obras muito diferentes uma da outra, mas trazem conhecimentos profundos sobre as relações humanas. Podemos seguir nossa estrela e, assim, encontrar a felicidade que tanto buscamos, muitas vezes, em lugares improváveis.