05 junho 2017

RÓTULOS NÃO ME DEFINEM

— Eu não fui com a cara dessa pessoa!

Com certeza você já falou isso várias vezes. Sim ou claro?!




Você nunca parou para pensar o porquê de julgar alguém sem conhecer plenamente? Criticamos roupas, sapatos, cabelo, estilo de vida como se fôssemos seres supremos e perfeitos. Fazemos isso baseado no que mesmo? 

Um dia desses fui tachada de 'roqueira' no trabalho por estar usando um cinto de ilhós. Em outro dia, da mesma forma, por estar de colete jeans. Por acaso ser 'roqueiro' é ser alguém ruim? Eu fui marginalizada por estar fora do padrão mental de alguém que, sabe Deus o que ela pensa de 'tribos' e grupos dos quais ela não está inserida ou desaprova.

Normalmente, quem rotula alguém possui padrões limitantes —, crenças e pensamentos que estão baseados no aprendizado ao longo da vida e que não pode ser abalado por tendências e mudanças culturais e sociais. Em outras palavras, são pessoas preconceituosas. Em Antropologia poderíamos chamar esse comportamento de Etnocentrismo.

Uma pessoa é considerada etnocêntrica quando considera inferiores e menos importantes culturas ou grupos diferentes dos seus. Quase sempre elas pensam que as normas e valores da sua própria cultura são melhores do que as de outras culturas. Isso leva à prática do desrespeito, intolerância e a casos extremos de atitudes radicais e xenófobas. Um dos maiores exemplos de etnocentrismo está relacionado ao vestuário — a dos índios é mais categórica. Isso me faz compreender melhor quando fui rotulada de roqueira.

Ao contrário deste conceito, o 'relativismo cultural' valida outras culturas a fim de nos ensinar a diferença entre os povos para convivermos em sociedade. Desta forma, não podemos interferir ou modificar elementos culturais de uma sociedade, mas entender os valores, costumes, língua e arte. Portanto, isso nos leva a compreender o sentido das características culturais, haja vista que não há padrão definitivo de bem ou mal, certo ou errado. Isso teoricamente é lindo! 

Entretanto, o relativismo é questionado por vários estudiosos por permitir a 'tolerância' em outra cultura, tais como: apedrejar até a morte mulheres que cometem adultério; incentivar suicídio por crenças religiosas; permitir casamento de adultos com crianças. Aos nossos olhos nus ocidentais, isso que faz parte de outras culturas é inaceitável, mas não podemos interferir diretamente.


Se, por um lado, a intolerância étnica é primitiva, em tempos atuais, está acentuada em todas as plataformas de discussão, pois há um eco, um 'grito do Ipiranga’ para desconstruir a conquista de minorias depois de tantas lutas. O relativismo cultural pode cair no gosto popular, porém com adendos —, de que nem tudo é permitido! Daí, é quase impossível aplicá-lo em termos práticos.

Antes de rotular uma pessoa tente conhecê-la um pouco mais. Não custa nada! Coloque-se no lugar do outro. Trate as pessoas como gostaria de ser tratado. O fato é que muitos querem ter as vitórias de alguém, mas não querem passar pelas mesmas lutas. Para ser amado não é preciso tentar agradar a todos. 

Desista dessa busca incessante por aprovação; pois, nesse caminho, existem muitas fronteiras que o levam a não atender as expectativas alheias; que o fazem ter sempre uma desculpa; que o deixam em dúvida sobre quem você realmente é. A pessoa que não se ama suficiente não será capaz de amar quem quer que seja. Por falta de conhecer melhor seu 'bom partido' — o próprio coração. Ele precisa desse amor que você desperdiça com quem não vale a pena.

Fonte sobre Etnocentrismo e Relativismo cultural >> AQUI

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