03 dezembro 2017

[RESENHA] PENSE COMO UM ARTISTA



TÍTULO: Pense como um artista
AUTORAS: Will Gompertz
EDITORA: Zahar
PÁGINAS:213

Somos todos artistas, mas, uns aproveitam esse dom, outros não. Pensando em muitas questões em torno da criatividade, Will Gompertz faz uma imersão no universo das mentes mais talentosas e criativas que o mundo já viu.

Em "Pense como um artista”, o autor nos leva para o imaginário de grandes nomes como Andy Warhol, Pablo Picasso, Da Vinci, Van Gogh entre outros.  É possível fazer uma viagem nas histórias e no processo criativo de cada um.

A criatividade se relaciona intimamente com a coragem e com a autoconfiança. Os Beatles convenceram a si próprios, e depois o mundo, de que eram músicos. Os artistas não pedem permissão para pintar, escrever, atuar ou cantar, simplesmente vão lá e fazem. Com a experiência vivida no teatro, cinema, editoras, e, sempre em busca de conhecimento, Will se debruça em analises profundas acerca do comportamento da ‘elite criativa’ e na forma como é acionada a imaginação como ferramenta produtiva.

Como já é clichê falar da Era Digital, e, principalmente, sobre como ele sobrecarrega nosso tempo com notificações o tempo todo, o autor afirma que é através dessa Era que teremos chance de atingir mais satisfação através da criatividade. Pois Will acredita que haverá mais pessoas criativas no futuro por conta da revolução digital visto que o acesso à informação ficou mais fácil.

O livro traz um despertar para vários braços da arte, inclusive para a publicidade. Como publicitária, eu entendi a importância dos impulsos, que normalmente soam como algo negativo, mas que devem ser encarados como algo fundamental para os artistas em geral. Vejamos um trecho da história do pai da publicidade David Ogilvy que começou sua agencia sem Know-hall, e que mais tarde, passou a administrar contas de grandes anunciantes como Roll-Royce, Guiness, American express, IBM, Shell, entre muitas outras, mas, para chegar onde chegou, ele contou muitos com seus impulsos.  Em sua biografia ele conta que largou a faculdade para trabalhar pesado, mesmo ganhando mal, em troca de experiências, e, foi o longo tempo na cozinha francesa com George Gallup e os Amish que ele descobriu a publicidade, desde então passou a pensar como um artista.

Ao longo da sua carreira como publicitário, Ogilvy encoraja os iniciantes, dizendo que os artistas fracassam, mas apenas de forma superficial, de que nem tudo que tentamos fazer resulta do modo como esperávamos. Mas essas situações não constituem verdadeiro fracassos, já que por meio da persistência e da dedicação alcançaremos um ponto de clareza.

Como falei anteriormente, que arte e coragem caminham juntas, a obra permeia esse conhecimento com exemplos de grandes nomes, como o de Michelangelo,  quando em 1508 foi chamado pelo Papa Julio II para pintar o teto da Capela Sistina. O artista foi tomado pelo sentimento de insegurança. Aterrorizado e com medo de falhar e de jogar no lixo toda sua reputação como um dos mais brilhantes artistas locais, ele não aceitou imediatamente, visto que já tinha recusado outro trabalho do papa. Mesmo não se sentindo qualificado para o realizar o trabalho, ele não tinha muita escolha. Entretanto, recebeu um encorajamento do Papa lhe dizendo para pintar o que quisesse. Então decidiu: “Se a encomenda estava destinada a ser vista como um fracasso, era melhor que fracassasse de modo espetacular”.

O que podemos entender sobre o causo de Michelangelo é que, a criatividade não existe de maneira isolada, precisa de um ambiente acolhedor onde possa florescer, e muitas vezes, isso significa ter um patrono ou um incentivador que irá proteger, possibilitar, persuadir e instruir, não haveria teto da Capela Sistina para o deleite dos visitantes, se não fosse pela persistência obstinada do Papa Julio II e pela confiança no trabalho de Michelangelo.

A realidade é que toda obra de arte deve ser viável comercialmente. Empresários identificam novas aberturas de mercado, e os artistas modificam seus modos de expressão para refletir uma nova era. Mesmo artistas muito ousados para quebrar regras e ir na contra mão do sistema, às vezes precisa de ajuda para vender seus trabalhos e torna-los famoso. Gompertz provoca um certo desconforto quando puxa o leitor para a realidade, ainda mais, quando disse que até Michelangelo teve medo de fazer o que sempre fez com excelência. 

Para artistas que passam constantemente por bloqueio criativo, há esperança. Pois até esses grandes artistas já hibernaram. A obra não traz dicas e nem conselhos que vão salvar um possível "fim de carreira". Eu imaginava que o livro fosse um manual para desbloqueio criativo, porém tem algumas sacadas interessantes, mas é o artista-leitor quem tem que se salvar, ainda mais, quando acessa a história de outros.

Estamos sempre esperando um insight para aquele projeto que não sai do papel, uma hora vem. É possível extrair desse livro uma dica de ouro: A porta para criatividade se abre através de perguntas e respostas. Pois Sócrates (470-399 a.C) desenvolveu um estilo de indagação aberta, que iria expor as fraquezas das suposições e incentivar as mentes a operar com maior capacidade intelectual e criativa. O método socrático, baseia-se em não pressupor nada e questionar tudo em busca de verdades absolutas. Afirmou o filósofo: “a vida não examinada não vale a pena ser vivida”, ele bem sabia que quanto mais questionamos, mais percebemos que há repostas concretas. Portanto de forma sucinta eternizou essa frase: “Só sei que nada sei”.



  



28 novembro 2017

[RESENHA] O Poder dos Inquietos

"Assuma o controle da própria vida e algo terrível acontece: você não tem mais a quem culpar."  - Érica Jong



TÍTULO: O Poder dos Inquietos
AUTOR: Chris Guillebeau
EDITORA: Saraiva
PÁGINAS:208

O poder dos inquietos" é indicado para empreendedores que estão em busca de capacitação. É plenamente voltado para quem não consegue viver sem perspectivas; sem novidades; sem ideias.

Chris Guilllebeau é bastante consistente em seu discurso, ele consegue compactar seu conhecimento sobre empreendedorismo com maestria. E, de cara, já começa a obra assim: "À Medida que você avança em sua jornada, encontrará uma grande variedade de pessoas. Ao longo do caminho, algumas o ajudarão, enquanto outras farão de tudo para impedir que tenha sucesso."

Como uma pessoa inquieta que eu sou, comprei o livro pela capa, e, definitivamente, não me decepcionei. O autor vai dando uma alfinetada nos sonhadores de plantão, que querem se realizar, mas, se conformam com o que ganham e não fazem nada para mudar.


O livro é dividido em três partes:


A primeira, o autor fala sobre sua vida e sobre como se tornou um empreendedor. Sua inquietude o levou para dar volta ao mundo, foi voluntário na África apenas para ganhar experiências. Hoje vive de escrever livros e dar palestras. É uma pessoa com muita bagagem, literalmente, e, conta todas as suas peripécias nessa obra.
A segunda parte, Chris fala sobre como uma pessoa pode revolucionar seu trabalho, sair da ‘zona de conforto’. Muitas das vezes, o autor 'viaja na maionese', pois não é todo mortal que pode viver loucamente pelo mundo como ‘freela’. É preciso ter coragem, muito além disso, um propósito de vida. Mas ele provoca mesmo assim! 

Essa segunda parte é uma das mais interessantes, ele faz uma abordagem detalhada sobre liderança. É possível entender bem sobre a importância de se construir um pequeno exército e como influenciá-lo. Vou colocar aqui um passo-a-passo bem resumido:

Passo 1 –Recrute seu pequeno exército – Escolha a plataforma de comunicação; explique o motivo; seja receptivo;

Passo 2- Treine e recompense seu exército – Descubra o que motiva seus seguidores; recompense de forma simples, mas eficiente;

Passo 3 – Peça ajuda ao seu exército – Mobilize-os para ajudá-lo a se conectar com outras pessoas; proporcione a eles apoio financeiro; Envolva-os com seu negócio; una-se à causa; Cumpra as promessas que fez para não perder a credibilidade;

O novo empreendedor, que se aventura em ler esse livro buscando inspiração, é forçado a tomar algumas decisões importantes, principalmente, quando tem que relacionar dois pontos de partida. Como por exemplo, analisar as principais características de bons e maus negócios, baseadas nos estudos que o autor apresenta, descontruindo conceitos sólidos existentes sobre sistemas de franquia.

Além disso, polemiza quando afirma que é melhor investir em um blog do que em uma pós-graduação. Leia essa parte com muita atenção. É preciso filtrar as afirmações, bem como analisar o que se adéqua a realidade de cada um.

Chris Guillebeau dar algumas dicas sobre administração financeira pessoal e deixa alguns lembretes aos investidores de plantão:
  • Dinheiro e felicidade se correlacionam até certo ponto, mas não muito depois desse ponto.
  • O seu comportamento em relação ao dinheiro deve se alinhar aos seus valores.
  • Pense em "investir em si mesmo" gastando mais em experiências de vida do que em coisas.
  •  Um bom programa de investimento também inclui investir nos outros. Não é uma questão de culpa, mas de gratidão.
A última parte da obra é exaltando sua decisão em juntar trabalho e aventura – o sonho de consumo de qualquer um. O autor entra em uma área avessa -  quase inexplorada pela maioria das pessoas. Fala sobre conceitos de simplicidade, reducionismo e minimalismo. Chama isso de convergência – estado no qual todos os elementos da nossa vida estão em alinhamento. Para Chris, atingir a convergência entre duas atividades distintas é necessário livrar-se de tarefas, obrigações e expectativa, e, acolher uma ampla variedade que enriquecem nossa vida. Há vários exemplos sobre isso.

A obra tem um desfecho menos acelerado, já que no decorrer do livro sentimos a mesma adrenalina do autor, que nos leva para suas viagens, causando um certo desconforto, pois é distante demais da realidade, parece até livro de ficção. Um paradoxo!

Ele explica sobre o legado que todo mundo precisa construir. Usa exemplos de autores consagrados para fazer o leitor entender melhor sua proposta. Veja o que diz Stephen Covey:

“Certas coisas são fundamentais para a realização do ser humano. A essência dessas necessidades foi capturada na expressão “viver, amar, aprender e deixar um legado”. A necessidade de deixar um legado é nossa necessidade espiritual de ter um senso de propósito, congruência pessoal e contribuição para o mundo.”

O que se aprende com esse livro é que, de fato, somos responsáveis pelo nosso futuro, e que, não devemos nos conformar com mesmices. Não basta sonhar! As pessoas só progridem quando se levantam e procuram as circunstâncias que desejam e, se não conseguirem encontrá-las, as criam! 

21 novembro 2017

[RESENHA]: GIRLBOSS




📚TÍTULO: #girlboss
📚AUTORA: @sophiaamoruso
📚EDITORA: Seoman
📚PÁGINAS: 247

Li pelo menos três resenhas sobre #girlboss. Sendo duas, exaltando a autora pelo sucesso da sua empresa Nasty Gal, e outra, falando muito mal da obra. Fiquei curiosa e decidi pagar pra ler.

O apelo comercial da capa é evidente. É um tipo de livro "modinha" — com uma 'hastag' e título feminista. Mas surpreende pelo conteúdo.


Traz uma linguagem cheia de expressões coloquiais. Acredito que a tradução foi feita desta forma — de propósito — com o intuito de deixar mais próximo possível da obra original.

Sophia conta sua história com riqueza de detalhes: sua fase de baixo autoestima; sua rebeldia, sua falta de apreço com os trabalhos por onde passou.

Ela deixa claro, não subentendido, que era uma pessoa problemática, que precisava de ajuda, porém não aceitava. Foi diagnosticada com TDH, mas abriu mão do tratamento e do conforto da família para viver como nômade e catando lixo, por opção.

Mesmo tendo um lugar para voltar, ela, inconscientemente, queria encontrar seu caminho mesmo que tivesse que passar por dificuldades. Ela estava certa!
[Todas as ações são criativas]

Sophia trabalhou em empregos que ela julgava que eram sofríveis, tais como restaurantes, serviços de informação, sapatarias entre outros. Na verdade, ela estava apenas entediada querendo garantir seu sustento. E aprendeu uma lição: "O que é chato para você poderá ser totalmente estimulante para outra pessoa. Se você está entediado e odiando algo, esse é um grande sinal de que você muito provavelmente apenas está no lugar errado. 

E, foi catando lixo que ela começou seu negócio milionário. Não foi exatamente com a primeira venda pela internet do livro que roubou. Ela não esconde que teve que roubar para garantir sua sobrevivência. Contudo, foi vendendo roupas usadas, que fizeram seu brechó no ebay se tornar um sucesso.

A autora traz muitas lições para novos empreendedores que querem vencer em seus projetos. Sophia não ficou sentada no sofá esperando o universo conspirar ao seu favor. A sorte foi ela quem criou — acordando cedo ou virando a noite trabalhando.

[Libere seu lado fashionista e extravagante]

A bem sucedida girlboss se considera introvertida, e, no livro faz várias colocações a respeito: Os introvertidos também são propensos a prestar atenção em detalhes pequenos (E uma loja no ebay é um tesouro de pequenos detalhes). Achei muito pertinente a forma como ela disserta sobre os introvertidos. O fato de ela não ter que lidar com pessoas, fez parte do motivo de ter começado a Nasty Gal, por simplesmente querer trabalhar sozinha. Cada um tem que saber explorar o que tem de melhor e saber o seu lugar, isso é um dos segredos para o sucesso. 
[Trabalhar com moda não é igual a passar o dia no shopping]

Essa parte do livro é a mais técnica. A autora chama os empreendedores para a realidade. Ela fala como é feita a contratação; como avalia um currículo; o que acha relevante numa entrevista. Sophia é muito enfática quando diz que não basta conseguir o emprego, é preciso mantê-lo, palavra de quem já foi promíscua com o trabalho. Isso aqui é muito bom:  Num mundo ideal, você nunca teria que fazer coisas que tão abaixo da sua posição, mas este não é ideal e nunca será. Você tem que entender que até um trabalho criativo não se resume a ser criativo, mas fazer o trabalho que precisa ser feito.

O livro vale a leitura, sem preconceitos. É possível compreender através desse fenômeno, que virou série na Netflix, o porquê de muitos negócios on-line fracassarem. Um dos segredos que a empresária revela sobre administrar um negócio com êxito, é saber como conseguir marketing de graça. Sabe como? Através do próprio cliente. Uma das regras de ouro: "Dê ao seu cliente algo a compartilhar."

Espero que tenham gostado. Não deixe de curtir e compartilhar com oa amigos


16 novembro 2017

GUERRA DE TRONOS: O Príncipe X O Pequeno Príncipe

As pessoas estão vivendo apenas para trabalhar e morrer. Nós, estamos sempre em modo automático levando as relações de forma superficiais, pois não temos mais tempo para nada. Já não paramos mais para ver as estrelas; queremos apenas o que está pronto e ao nosso alcance, para consumo imediato; assumimos ter ‘pavio curto’, porque não temos paciência para nos dedicarmos ao outro.

Que tal uma batalha de clássicos? 


Falar de clássicos é desafiador! Meu desafio é fazer uma analogia entre os 'Príncipes': O Príncipe, de Maquiavel, e O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, obras que, se você analisar bem, permitem estabelecer várias relações. Não pretendo resenhar nenhuma delas, mas quero trazer o momento exato em que uma completa a outra, causando a impressão de terem sido escritas nos tempos atuais. Nicolau Maquiavel foi considerado um filósofo político por defender um Estado forte, contrariando toda moral religiosa, focando plenamente no humanismo. 

O Príncipe, foi escrito em 1513. Através de uma narrativa de fatos históricos, Maquiavel escreveu uma espécie de manual para ensinar príncipes/governantes a conquistarem e a se manterem no poder. O autor construiu sua carreira política servindo por 14 anos à república de Florença, na Itália, sob o comando de Lorenzo Médici.

Dentre as chaves do conhecimento maquiaveliano farei uma abordagem a respeito da 'natureza humana', que é tratada em muitos capítulos do O Príncipe, que é catedrático quando diz que a juventude deveria avaliar a si mesma quanto às oportunidades de aprendizado, visto que nos mantemos o tempo todo ocupados, sem desenvolvermos as reais habilidades para se obter o sucesso. 

Em relação a O Pequeno Príncipe vou pinçar sobre a 'construção dos laços afetivos', que é bem presente ao longo da fábula. Le Petit Prince – obra do escritor, ilustrador e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, publicada em 1943. Sua experiência com uma pane do avião no deserto do Saara o inspirou a escrever o que seria hoje o terceiro livro mais vendido no mundo. Até voltar em segurança para casa, o autor narra uma de suas histórias mais marcantes e que, definitivamente, mudou sua vida pra sempre. 

20171116_112636.jpgSaint-Exupéry passou muitos anos admirando as estrelas, porque era onde ele vivia com seu avião. Através do O Pequeno Príncipe ele externa sua criança interior, alertando os leitores para que nunca esqueçam de que já foram criança. O que ele quis dizer é que as 'pessoas grandes' não deveriam ter tantas preocupações; deveriam levar a vida mais leve, sem pensar tanto em números ou posses. Na verdade, poderiam se esforçar mais para realizar os sonhos de infância. O momento de interseção das obras ocorre justamente quando falam do amor e dos laços que determinam o sucesso ou o fracasso na vida, que vale para um principado/governo; para o ambiente corporativo; para a convivência em sociedade. Muitas relações humanas são construídas na base do interesse e, no momento de conveniência, são rompidas de forma inescrupulosa. Maquiavel afirma que isso ocorre porque, de modo geral, os homens são ingratos, falsos, covardes e ambiciosos. Assim, enquanto você tiver sucesso, as pessoas demonstrarão afeto, oferecerão o próprio sangue, os bens, a vida e até os filhos, mas se voltarão contra você, quando não estiverem mais satisfeitas. 

Quando saiu do seu planeta em busca de conhecimento pelo mundo, O pequeno príncipe encontrou em sua jornada: vaidosos, avarentos, bêbados, ambiciosos e, mesmo não entendendo o porquê das 'pessoas grandes' levarem a vida desta forma, ele queria construir laços. Mas, um príncipe precisa saber ser animal e homem. Para Maquiavel, é necessário saber utilizar uma e outra natureza, posto que uma sem a outra não é duradoura. Para saber viver nesse mundo cão é preciso ser um leão para se defender das armadilhas e também ser raposa para identificá-las. 

Quando o pequeno príncipe chegou na Terra encontrou muita gente pelo caminho, dentre elas destaca-se a raposa, que o fez compreender, finalmente, a importância da amizade –, que é baseada na entrega e na dedicação, pois só se conhece bem as coisas ou as pessoas quando se cativa. Ele puniu a rosa – sua melhor amiga –, deixando-a sozinha em seu planeta, forçando-a a reconhecê-lo como seu protetor. Nicolau escreveu profundamente sobre isso, salientando que um príncipe deve saber recompensar e punir quem faz algo extraordinário, tanto bom quanto ruim, pois essa é uma das formas de ser respeitado. 

O que sabemos sobre as relações é que simplesmente elas são rompidas facilmente, independentemente do quanto alguém já se dedicou a elas. Isso acontece porque ninguém anda com tempo para se dedicar à amizade. Hoje opta-se pelas amizades virtuais, porque é mais fácil para administrar. Como disse Saint-Exupéry, dá comprar tudo pronto, mas como não existe lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, mas se quiser ter um é preciso cativar! Em O Príncipe isso fica claro: é possível reconhecer um verdadeiro amigo quando ele está ao seu lado no sucesso ou no fracasso; pois é aí que se estabelece um forte laço de amizade. 


20171116_112609.jpg
Nesses dois conjuntos de sentimentos e emoções dos 'príncipes', vividos em tempos distintos, porém atualizados à medida que passamos a julgar a nós mesmos, compreende-se que o ser humano não mudou, muito embora os meios de comunicação tenham provocado mudanças no comportamento, mas, não na natureza. Para fortalecer os laços é preciso ser paciente. A expectativa de um momento feliz com alguém é necessária para que o coração esteja preparado para sentir a felicidade, por isso as celebrações são tão marcantes e, hoje, todo mundo quer deixar registrado nas redes sociais. 

Depois de passar muito tempo exilado, com a queda dos 'Médicis', Maquiavel – que trabalhou muito tempo para eles – tentou uma remissão, dedicando a obra O Príncipe ao neto de Lorenzo de Médici, logo quando recuperou o poder, aconselhando-o a não deixar passar essa oportunidade, pois a Itália já tinha sofrido muito com as invasões estrangeiras e aquele seria o momento certo para ele ser amado. Na verdade, o que Maquiavel queria mesmo era ser lembrado, principalmente por sua obra. Ele conhecia bastante essa família e sabia como cativá-la, mesmo numa tentativa frustrada de voltar ao cargo. O Pequeno Príncipe também queria ser lembrado, portanto a raposa disse que sempre iria se lembrar dele, quando visse os trigos, pois era da mesma cor do seu cabelo. 

Somente o tempo que se perde cativando é que faz alguém ser importante. Pode-se aprender muito com esses dois clássicos, que são obras muito diferentes uma da outra, mas trazem conhecimentos profundos sobre as relações humanas. Podemos seguir nossa estrela e, assim, encontrar a felicidade que tanto buscamos, muitas vezes, em lugares improváveis.

06 setembro 2017

05 junho 2017

RÓTULOS NÃO ME DEFINEM

— Eu não fui com a cara dessa pessoa!

Com certeza você já falou isso várias vezes. Sim ou claro?!




Você nunca parou para pensar o porquê de julgar alguém sem conhecer plenamente? Criticamos roupas, sapatos, cabelo, estilo de vida como se fôssemos seres supremos e perfeitos. Fazemos isso baseado no que mesmo? 

Um dia desses fui tachada de 'roqueira' no trabalho por estar usando um cinto de ilhós. Em outro dia, da mesma forma, por estar de colete jeans. Por acaso ser 'roqueiro' é ser alguém ruim? Eu fui marginalizada por estar fora do padrão mental de alguém que, sabe Deus o que ela pensa de 'tribos' e grupos dos quais ela não está inserida ou desaprova.

Normalmente, quem rotula alguém possui padrões limitantes —, crenças e pensamentos que estão baseados no aprendizado ao longo da vida e que não pode ser abalado por tendências e mudanças culturais e sociais. Em outras palavras, são pessoas preconceituosas. Em Antropologia poderíamos chamar esse comportamento de Etnocentrismo.

Uma pessoa é considerada etnocêntrica quando considera inferiores e menos importantes culturas ou grupos diferentes dos seus. Quase sempre elas pensam que as normas e valores da sua própria cultura são melhores do que as de outras culturas. Isso leva à prática do desrespeito, intolerância e a casos extremos de atitudes radicais e xenófobas. Um dos maiores exemplos de etnocentrismo está relacionado ao vestuário — a dos índios é mais categórica. Isso me faz compreender melhor quando fui rotulada de roqueira.

Ao contrário deste conceito, o 'relativismo cultural' valida outras culturas a fim de nos ensinar a diferença entre os povos para convivermos em sociedade. Desta forma, não podemos interferir ou modificar elementos culturais de uma sociedade, mas entender os valores, costumes, língua e arte. Portanto, isso nos leva a compreender o sentido das características culturais, haja vista que não há padrão definitivo de bem ou mal, certo ou errado. Isso teoricamente é lindo! 

Entretanto, o relativismo é questionado por vários estudiosos por permitir a 'tolerância' em outra cultura, tais como: apedrejar até a morte mulheres que cometem adultério; incentivar suicídio por crenças religiosas; permitir casamento de adultos com crianças. Aos nossos olhos nus ocidentais, isso que faz parte de outras culturas é inaceitável, mas não podemos interferir diretamente.


Se, por um lado, a intolerância étnica é primitiva, em tempos atuais, está acentuada em todas as plataformas de discussão, pois há um eco, um 'grito do Ipiranga’ para desconstruir a conquista de minorias depois de tantas lutas. O relativismo cultural pode cair no gosto popular, porém com adendos —, de que nem tudo é permitido! Daí, é quase impossível aplicá-lo em termos práticos.

Antes de rotular uma pessoa tente conhecê-la um pouco mais. Não custa nada! Coloque-se no lugar do outro. Trate as pessoas como gostaria de ser tratado. O fato é que muitos querem ter as vitórias de alguém, mas não querem passar pelas mesmas lutas. Para ser amado não é preciso tentar agradar a todos. 

Desista dessa busca incessante por aprovação; pois, nesse caminho, existem muitas fronteiras que o levam a não atender as expectativas alheias; que o fazem ter sempre uma desculpa; que o deixam em dúvida sobre quem você realmente é. A pessoa que não se ama suficiente não será capaz de amar quem quer que seja. Por falta de conhecer melhor seu 'bom partido' — o próprio coração. Ele precisa desse amor que você desperdiça com quem não vale a pena.

Fonte sobre Etnocentrismo e Relativismo cultural >> AQUI

30 maio 2017

Tudo tem seu tempo



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03 maio 2017

Pensamentos #28






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30 abril 2017

Crie novidades





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08 março 2017

OITO DE MARÇO



“a”
um artigo bem definido.
Concordo em gênero feminino:
a mulher tem um
“q”

― um misterioso
e tão intrigante ponto
“g”

dia
oito internacional
uma data que
arrepia

que liga dois pontos:
da mais sensual
a mais fria

ela
sabe o que quer
e não adianta tentar descobrir
como funciona uma
mulher

Autora:Lena Casas Novas

09 outubro 2016

SOU FODA

Você não é obrigado a saber o que vai SER quando crescer, mesmo depois de se tornar adulto. Quando se é criança tem-se que responder para os mais velhos o que se quer ser. "Ser ou não ser? Eis a questão!" Crescer é substancial. Você vai entendendo durante o processo da vida.

As pessoas deveriam ser encorajadas a viverem dos seus sonhos; a descobrirem suas aptidões; a serem livres; mas o sistema não permite isso. As pessoas precisam ganhar a vida. Daí, vão pegando qualquer coisa ou seguindo suas carreiras 'promissoras', almejando aposentadoria tranquila com a sensação de dever cumprido. Nós somos educados para TER e não para SER. Isso, meu amigo, é outra coisa que você ainda não descobriu ou pensa que já.

trocou desculpas por atitudes.jpg

"... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo; pois quando livres do tumulto da existência, no repouso da morte, o sonho que tenhamos, deve fazer-nos hesitar: eis a suspeita que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios". Shakespeare nos deixou um legado através de Hamlet: o desafio de saber quem realmente somos. Talvez morreremos sem saber se cumprimos ou não nossa missão. Mas, enquanto estivermos por aqui, dá para julgarmos menos? Dá para sermos menos egoístas? Dá para culparmos menos uns aos outros?

TER uma profissão não tem a ver com SER. Lembra da famosa 'carteirada' ou  da pergunta '- Você sabe com quem está falando?'... que muitos usam pra fazer parecer que são superiores? Então... isso é o mesmo que dizer: sou uma pessoa frustrada, usando meu poder para compensar essa minha carência. Quando se está errado o mínimo que se deve fazer é aceitar, ao invés de tentar obter vantagem sobre alguém ou alguma situação.

A questão 'o que você vai SER quando crescer?' não poderia ser respondida com o nome de uma profissão. Já está na hora de ensinarmos às nossas crianças como realmente a vida funciona, pois elas serão responsáveis pela metamorfose da sociedade de alguma forma: matando ou salvando vidas; roubando ou dando segurança. Com sucesso financeiro ou não, todas terão suas oportunidades de criar ou abrir mão delas. Tudo depende do ponto de vista.

Um dos meus desejos nesta vida é me tornar uma pessoa melhor —, tenho plena consciência de que morrerei e, talvez, não experimente amar um inimigo. Acredito que algumas atitudes sabotam minhas chances de realizar sonhos, como por exemplo: guardar mágoas; deixar de ser solidária por orgulho; reclamar mais do que agradecer. Mas sabe o que me deixa com esperança? É que todos os dias acordo com a oportunidade de mudar.

26 setembro 2016

Não se engane



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29 maio 2016

Namore alguém que sonhe teus sonhos

Eu tive um sonho... ...aquele fondue na sua casa, foi para me confundir. Eu não sabia se era namoro ou amizade. Mesmo de dieta, não resisti aquele sabor de chocolate. Seus olhos mel lambuzavam minha boca ao olhar fixamente para ela. Ficava imaginando se tudo aquilo era desejo. Meu vestido longo tinha tanto pano, que você se enroscou quando começou a beijar minhas pernas. Os morangos estavam tão rosados que quase mordi sua língua por engano. Nossa sintonia era tão imensa, que a frequência dos nossos corações orquestrou quase uma sinfonia de Beethoven. Pela manhã, o sol curioso olhou pelas frestas da janela e se espantou com o calor do quarto. Estávamos suados, mesmo com o clima de montanha do quarto. Nem nos demos conta que o amanhecer batia na porta.
Quando me dei conta, já estava mergulhada no seu colo. Comecei a depender dele para estar feliz. Mas você não correspondia à minha intensidade. Passei a ser apenas um paliativo: você me procurava quando queria beijos no seu corpo todo; quando queria ver meu rosto inebriado de prazer; quando queria uma boa companhia — buscava sempre um encaixe perfeito. 

Comecei a ter pesadelos quando você passou a dar preferência aos seus amigos nos fins de semana, quando te perdia geralmente para suas prioridades. Até hoje, não recebi nenhum postal das suas viagens internacionais, as quais, por acaso, eu ficava sabendo, quando perguntava sobre seus feriados, pois não passava nenhum comigo. Na verdade, nunca fiz parte dos seus sonhos! Em nenhum momento planejamos uma viagem juntos. Nem sua família, nem seus amigos sabiam da minha existência. Só descobri sobre seu sonho de estudar em Harvard e de que já tinha sido aceito lá, por terceiros — fui excluída plenamente deste momento de apogeu.

Estou aprendendo a lidar com meus erros. Tenho um longo caminho pela frente. Um dos meus desejos nesta vida é me tornar uma pessoa melhor —, tenho plena consciência de que morrerei e, talvez, não experimente amar um inimigo. Acredito que algumas atitudes sabotam minhas chances de realizar sonhos, por exemplo: guardar mágoas; deixar de ser solidária por orgulho; reclamar mais do que agradecer. Mas sabe o que me deixa com esperança?! É que todos os dias acordo com a oportunidade de mudar!

Realizar sonhos é juntar as peças, digo, as pedras do caminho. Porém, é importante ter cuidado; pois nem todas servem para construir castelos. Assim é o amor: nem todos estão dispostos a construí-lo — Nem todos têm a capacidade de se colocar no lugar do outro; passar por dificuldades juntos; sentir as mesmas dores; superar as adversidades. Se você, leitor, está em busca de um amor, namore alguém que sonhe teus sonhos.

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26 fevereiro 2016

VIAJAR É PRIMEIRA NECESSIDADE, SIM!

Já perdi a conta de quantas vezes ouvi pessoas dizendo que, quando se aposentarem, irão viver viajando. Mas... por que adiar tanto esse momento? Por que não pode ser agora?
Maslow e sua teoria da 'hierarquia das necessidades' motivou a sociedade a pensar de forma linear. Mesmo que surjam visões sistêmicas dentro de grupos revolucionários ou não, as pessoas costumam ficar presas aos seus preconceitos. Uma vez que uma 'necessidade de status' supera uma 'necessidade básica', como por exemplo: ter um iPhone torna-se mais importante do que fazer uma alimentação adequada, passa-se a fazer parte integral da ‘sociedade do espetáculo’, na qual as pessoas necessitam fazer propaganda de si mesmas — através do consumo — invertendo a pirâmide.
Contudo, a ‘necessidade de autorrealização’ está cada vez mais presente. Nos dias atuais, muitosO mundo dá voltas estão em busca de experiências novas; de sentir novos prazeres; de enfrentar o desconhecido. Por essa Maslow não esperava! O mundo está em transformação. A humanidade também. Os tabus estão se quebrando e os valores ganhando novas tendências. Todos os dias estamos engajados na realidade, da qual não se pode fugir.
Esse ano eu e uma amiga fizemos uma viagem aos Lençóis Maranhenses. Aprendemos uma grande lição: não se pode esperar ficar velho para viajar! Durante o passeio, vivemos um momento de tensão, ao acompanharmos um idoso que sofria do coração e mal conseguia respirar ao subir as dunas, tendo que ser carregado pelos guias. Um risco de vida muito grande por causa de uma escolha inapropriada para a idade. Viajar é primeira necessidade, sim! Mesmo que seja a trabalho, "sair do lugar comum" — hoje em dia — é quase um mantra com eco. É preciso trocar a roupa da alma; lambuzar-se com sabores inexplicáveis; contemplar a felicidade, de mãos dadas com a vida; conhecer novos amigos de infância.
Conhecer novas pessoas é a maior expressão de afeto que a vida pode demonstrar. É como se ela abraçasse forte e falasse ao pé do ouvido: —Aproveite! É sua chance de aprender mais; de mudar os hábitos; de atravessar lugares que pertencem ao medo. Vivemos em elos — de alguma forma estamos conectados. A solidão existe para quem precisa. Porque podemos mudar tudo, o tempo todo. Então... quando se sentir só, chame o mundo para dar umas voltas!

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